Securitização
Operação consolida-se como alternativa barata e alcança R$ 1,5 bi neste ano

Fundo de recebível ganha espaço
Sergio Lamucci De São Paulo

Os fundos de recebíveis conquistam um terreno cada vez maior no mercado, consolidando-se como uma alternativa barata de captação de recursos e por prazos mais longos. Segundo números da Integral Trust, empresa especializada no produto, o valor total das cotas dos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) lançados neste ano atinge R$ 1,56 bilhão, o equivalente a 67% dos R$ 2,3 bilhões de todo o ano passado.

Como se trata de uma operação de securitização, o custo de captação por meio dos FIDCs é mais atraente, diz Francisco Turra, sócio da Integral Trust, acrescentando que é possível conseguir recursos por prazos bastante longos -há fundos de até dez anos. Turra lembra que o produto já está bem mais difundido. Os fundos de recebíveis foram regulamentos em 2001, mas só deslancharam a partir do primeiro trimestre de 2003. Hoje, os FIDCs são mais conhecidos, e empresas e bancos se sentem confortáveis em lançá-los para levantar dinheiro, afirma ele, assim como os investidores estão mais à vontade para adquirir cotas dessas aplicações.

Chuck Spragins, sócio da Uqbar, empresa especializada em securitização, aponta outra vantagem que explica o crescimento do produto: a possibilidade de segregar os risco da empresa do risco dos recebíveis que fazem parte da carteira do FIDC. Se a operação for bem estruturada, é bastante segura, afirma ele. Quem investe num desses fundos corre o risco dos recebíveis, e não o da companhia ou banco. "Para que haja segurança, porém, é crucial que a venda dos recebíveis do originador (a empresa ou banco) para o fundo seja perfeita e acabada", afirma ele.

Valor Online
O diretor da corretora Planner, Ricardo Penna de Azevedo, também ressalta essa característica, que permite ao investidor ver com clareza o risco que se está correndo. Uma outra vantagem, segundo ele, é que há um acompanhamento trimestral feito pelas agências de classificação de risco, que analisam a qualidade de crédito do fundo. A Uqbar, por sua vez, oferece a seus clientes um acompanhamento detalhado da carteira de recebíveis, colocando à disposição no seu site informações como o nível de inadimplência, a vida média dos contratos e o volume de pagamento antecipado.

Os FIDCs também são interessantes para empresas por serem uma alternativa de desintermediação financeira, diz Azevedo. Por meio deles, as companhias têm uma opção para diversificar suas fontes de financiamento, não precisando recorrer só a empréstimos bancários.

Os fundos têm crescido bastante porque há uma forte demanda por parte de investidores como fundos de pensão, seguradoras e fundos de investimento por aplicações mais rentáveis. Como os juros básicos caíram significativamente de meados do ano passado para cá, fundos de pensão, por exemplo, buscam nos FIDCs uma opção para atingir metas atuariais.

Spragins lembra ainda que há variedade grande de ativos que podem ser securitizados, como créditos de financiamento imobiliário, contratos de financiamento de veículos, empréstimo com desconto em folha de pagamento e mensalidades escolares. Com isso, há uma perspectiva de crescimento dos fundos. Turra considera possível que o valor dos fundos atinja R$ 10 bilhões no fim do ano- hoje, está R$ 3,85 bilhões.

Um dos fundos lançados recentemente é o Bancoop I, da Cooperativa Nacional dos Bancários (Bancoop), que tem prazo de três anos. O objetivo é captar R$ 60 milhões, e a expectativa é concluir a venda das cotas até a primeira quinzena de agosto, afirma o gerente financeiro da Bancoop, Alessandro Bernardino. Segundo ele, o principal atrativo do FIDC é sem dúvida a possibilidade de obter recursos a um custo mais baixo. Os recebíveis do fundo são os contratos de autofinanciamento da cooperativa. Bernardino diz que outro FIDC poderá ser lançado até outubro. O dinheiro vai ser usado para adiantar a execução de obras da Bancoop.

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